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domingo, 16 de novembro de 2025
Registros do debate acerca da desmoralização do zen no Brasil (I)
domingo, 28 de setembro de 2025
As raízes do anti-budismo dos descendentes de colonos japoneses (III)
Até o presente momento, as confrarias zen de origem da colônia dos imigrantes japoneses foram estabelecidos com a posse do poder político e econômico nas mãos dos representantes desses colonos (colonóides) e, até os dias de hoje, decorrentes de sua hereditariedade.
Essa forma manteve-se, então, intacta por décadas. Possivelmente, e seria preciso investigar outrora, com o complô para expulsão da Monja Coen da Sagrada Confraria, há duas décadas, houve a composição do gênero feminino no Comando da Sagrada Confraria. Ou seja, a Monja Coen possivelmente criticou a preponderância masculina no Comando Sacro e isso fez com que as próximas gerações fossem de Comandantes femininas.
No ano de 2022, o Emissário japonês assumiu a função central da Sagrada Confraria, após esse lugar passar alguns anos sem a figura de um emissário, apenas contando com o atendente Judas. Tempos depois, em 2024, sob a alegação de que não trabalhava, não exercendo suas funções como Emissário, então, o Comando da Confraria Sagrada arquitetou um golpe para expulsar o Emissário e, assim, purificando a Confraria Sagrada desse mal. Houve supostas falsificações no processo de tradução dos documentos do português para o japonês para enviar a sede da Ordem, suposta indução para que os membros da Confraria assinassem um documento que exigia a sua saída, entre outras construções. Paralelamente, sob a condução do atendente Judas, outros monges representantes da América do Sul também articularam um suposto golpe para retirá-lo das funções de Emissário.
Por várias razões e também por razões que desconheço, o suposto golpe não teve sucesso. A Ordem japonesa negou o referendo. Vale ressaltar que as regras da Confraria Sagrada permitiam ao Comando expulsar o Emissário. Cláusula semelhante encontra-se nas atuais regras da sucursal de Mogi das Cruzes.
Quando contamos essa história, precisamos perguntar o motivo budista que há por trás disso tudo.
Frente ao poder político dos colonóides que ocupam o Comando, o atual Emissário fora quase deposto. E por qual motivo? O motivo oficial seria de que ele não exercia suas funções. Precisaríamos perguntar aos colonóides que vestem a camisa do budismo por força da tradição, qual o ideal do monge budista da qual eles podem, com orgulho, defender.
Para os colonóides, a função do Emissário é fazer todas as cerimônias memoriais, funerais e limpar o chão do espaço sagrado da Confraria. Caso ele não faça isso, não trabalha. Não exerce, segundo os óculos budistas dos colonoides, a prática e realização dos ensinamentos de Buda.
Em outros termos, caso o Emissário não realize cerimônias memoriais, funerais e limpeza do chão sagrado, não estaria ganhando para a missão Sagrada da Confaria, ou seja, disponibilizando para o mercado funerário, seus serviços rentáveis. Se não vende a mercadoria cultural, a Confraria não ganha e se não dá dinheiro, não tem valor. Num outro giro, para os colonoides, só tem valor se vender cerimônias, funerais e limpar o chão (para receber as famílias solicitantes), pois limpando, economiza-se na contratação de profissionais da limpeza. Em resumo, se não dá dinheiro, não é trabalho digno de um monge.
Essas linhas sintetizam a visão valor dada pelos colonoides acerca de um monge budista:
a) Funcionário do mês
Monge de grande valor: realiza cerimônias memorias, funerais e limpeza do solo sagrado.
Consequência econômica do trabalho: produz a mercadoria funerária.
Consequência econômica para a Confraria Sagrada: recebe o dinheiro pela mercadoria vendida.
Consequência mediata: mantém o poder econômico que sustenta o poder político que mantém os colonoides no Comando por mais tempo. Essa específica fonte de recursos sustenta a missão "sagrada" dos colonóides.
b) Mau funcionário
Monge de baixo valor: não realiza cerimônias memoriais, funerais e limpeza do chão sagrado.
Consequência econômica do trabalho: não produz a mercadoria funerária.
Consequência econômica para a Confraria: não recebe dinheiro pela mercadoria vendida.
Consequência mediata: sem poder econômico, o agrupamento colonóide não se sustenta porque falhou em exercer o poder político para explorar o trabalho de um monge desavisado. Perde-se o motivo para os colonóides exercerem sua missão sacra.
A sustentação dessa estrutura política advém portanto da cultura tradicional (tradição recentíssima de meados do século XX a partir da fundação da Sagrada Confraria e sua sucursal) quando colonos e colonóides passaram a explorar o trabalho dos monges e, ao invés de receber os lucros da exploração, receberam o poder político para se manterem no Comando do empreendimento. Aos colonos e colonóides, recebem uma medalha social (status) de exercerem um trabalho sagrado que contribui com a difusão do budismo e auxílio aos necessitados. Sacrificam-se para manter a Confraria Sagrada, que para eles equivale ao Buda e ao Budismo; nem que para isso tenham que sujar suas mãos no lodo da exploração dos religiosos, dos monges budistas.
A medida anti-budista, assim, fundamenta-se na moral advinda da exploração da mão de obra, na clássica ideologia capitalista de defesa da efetividade, exploração, controle dos corpos. Todo o ambiente dentro da Confraria Sagrada que deveria preservar a moral budista ganha contornos capitalistas. Constantes assédios morais contra os monges e demais trabalhadores - o caso do Emissário é emblemático, contra ele, porém, não foi apenas assédio moral que o condenasse por "não trabalhar", porém uma suposta tentativa de golpe para sua remoção -, quando os monges estão em estado de vulnerabilidade socio-econômica, os colonóides profetizam contra eles dizendo que seria necessário ser mais forte, porque, segundo a mentalidade colonial, faz parte da atividade monástica se entregar a esse trabalho com todo louvor necessário. De tanto trabalho e tanta cobrança, incutem na mente dos monges em estado de vulnerabilidade que devem trabalhar, inclusive, nos dias de folga; normalizar horas extras e horas além das horas extraordinárias, tudo na argumentação de que monges "de verdade" deveriam trabalhar assim - aceitando a exploração como se fosse um ensinamento de Buda.
Bem verdade é: os monges vulneráveis que sinceramente acreditam em Buda e de que a Confraria Sagrada tem orientações budistas são ludibriados por esses abusos morais com tons religiosos perpetrados pelos colonóides.
Aos trabalhadores que não são monges, a exploração é ilimitada.
Shozan
sábado, 20 de setembro de 2025
As raízes do anti-budismo dos descendentes de colonos japoneses (II)
Sobre o poder religioso.
Antes disso, uma pausa para uma anedota interessantíssima:
No dia anterior, 19 de setembro, meu mestre e eu fomos mandados embora da Sagrada Confraria, em São Paulo. Da mesma forma que fomos mandados embora da Sagrada Confraria, sucursal de Mogi das Cruzes, em janeiro de 2025, a confraria colonoide não admitiu o nosso jeito brasileiro de atuar como monges budistas. Dentro desse espaço, agimos em diferente frentes, de denúncia a suposto fato de racismo ocorrido nas dependências sacras, de denúncias a supostas irregularidades trabalhistas, de admoestação contra condutas imorais do ponto de vista budista. O problema que, quando admoestamos os leigos acerca de conduta contra os preceitos budistas, recebemos a represália da dispensa trabalhista. Ora, admoestar alguém do comando da Confraria Sagrada ou mesmo um monge ou uma monja desse agrupamento é uma ofensa lesa majestade. Fizemos o que acreditávamos que era certo e correto do ponto de vista budista. Sabíamos das consequências, mas não poderíamos recuar nos nossos votos. Declaramos, admoestamos e falamos do Dharma do Buda e fomos punidos pela dispensa. Não estar atrás de cabides de emprego, de comodidades, de falsa harmonia e omissões acerca de supostas ilegalidades pode nos custar caro no mundo mundano. Seguir, contudo, na confiança nos passos dos Budas e ancestrais pode ter esse sabor de deixar tudo para trás e arcar com as consequências.
Diante desse quadro, podemos observar a origem do poder religioso. Ele se concentra, obviamente, nas mãos dos detentores do poder político-econômico das sagradas confrarias dessa natureza. Por mais malabarismos justificantes que os leigos se utilizem de que não poderiam interferir na atividade religiosa, monástica, quando a situação se coloca em uma contradição acentuada, o poder religioso dos leigos pode eliminar os corpos monásticos dos recintos sagrados de um templo. No dia a dia, de modo mais sutil e velado, o exercício de pequenos poderes religiosos por esses leigos são expressos. A saber (deveres impostos pelos colonos leigos dentro da casa cerimonial):
- dever de ser cordato;
- dever de não falar de problemas;
- dever de comunicar onde vamos e o que fazemos;
- dever de sorrir e concordar com qualquer assunto, inclusive de barbaridades;
- dever de manter a falsa harmonia;
- dever de ser demasiado agradecido por qualquer pequena generosidade, mesmo que imposta, sob pena de ser rotulado como ingrato;
- dever de ser japonês - qualquer coisa que isso signifique;
- dever de ser um monge japonês - igualmente, qualquer coisa que isso signifique; dever este destinado aos monges especificamente;
- dever de falar japonês;
- dever de não se incomodar quando se estão falando em japonês e há pessoas no local participantes da conversa que não entendem;
- dever de trabalhar além das horas estabelecidas por lei - porque faz parte da etiqueta nipo-colonial dar o sangue e se sacrificar pela empresa, caso contrário, será rotulado de preguiçoso, vagabundo, braço curto etc.
- dever de, se for brasileiro, amar o Japão e procurar ser japonês - o que quer que isso signifique. Trata-se de um certo milagre da transubstanciação ainda a ser descrito;
- dever de respeitar os mais velhos, ainda que eles estejam moral e eticamente errados;
- dever de não propor nada novo porque isso fere a tradição japonesa fundada na Era Meiji;
- dever de se acostumar com fatos contrários à lei;
- dever de acobertar ilicitudes em nome da harmonia social;
- dever de ser monge para não receber horas extras. Porque, por muito óbvio, segundo eles, monges de verdade não poderiam receber pelo trabalho fora de horário, já que deveriam mais é se sacrificar para a empreitada religiosa.
Essa lista pode ser observada a olhos atentos em um período de um dia. De um jeito ou de outro a forma dos elementos dessa lista pode mudar, tomar a aparência de novo, mas essencialmente expressam o poder religioso e moral em doses homeopáticas para manterem os corpos obedientes à suprema sabedoria do grupo colonial que está no Comando da Sagrada Confraria.
No próximo texto, apresentaremos outro elemento do poder religioso exercido pelo Comando da Sagrada Confraria: a tentativa de golpe contra o Emissário japonês para a América do Sul.
Shozan
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
As raízes do anti-budismo dos descendentes de colonos japoneses (I)
Neste nosso presente momento, continuam subsistindo os templos budistas zen que se originaram a partir dos colonos e descendentes de colonos japoneses.
A origem colonial desses lugares fizeram com que os monásticos do Japão fossem chamados para atender à religiosidade dos imigrantes japoneses no Brasil.
i).
Necessário, diante desse esquema, perguntar onde está o poder religioso.
Shozan
Registros do debate acerca da desmoralização do zen no Brasil (I)
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