domingo, 28 de setembro de 2025

As raízes do anti-budismo dos descendentes de colonos japoneses (III)



Até o presente momento, as confrarias zen de origem da colônia dos imigrantes japoneses foram estabelecidos com a posse do poder político e econômico nas mãos dos representantes desses colonos (colonóides) e, até os dias de hoje, decorrentes de sua hereditariedade. 

Essa forma manteve-se, então, intacta por décadas. Possivelmente, e seria preciso investigar outrora, com o complô para expulsão da Monja Coen da Sagrada Confraria, há duas décadas, houve a composição do gênero feminino no Comando da Sagrada Confraria. Ou seja, a Monja Coen  possivelmente criticou a preponderância masculina no Comando Sacro e isso fez com que as próximas gerações fossem de Comandantes femininas.
No ano de 2022, o Emissário japonês assumiu a função central da Sagrada Confraria, após esse lugar passar alguns anos sem a figura de um emissário, apenas contando com o atendente Judas. Tempos depois, em 2024, sob a alegação de que não trabalhava, não exercendo suas funções como Emissário, então, o Comando da Confraria Sagrada arquitetou um golpe para expulsar o Emissário e, assim, purificando a Confraria Sagrada desse mal. Houve supostas falsificações no processo de tradução dos documentos do português para o japonês para enviar a sede da Ordem, suposta indução para que os membros da Confraria assinassem um documento que exigia a sua saída, entre outras construções. Paralelamente, sob a condução do atendente Judas, outros monges representantes da América do Sul também articularam um suposto golpe para retirá-lo das funções de Emissário.

Por várias razões e também por razões que desconheço, o suposto golpe não teve sucesso. A Ordem japonesa negou o referendo. Vale ressaltar que as regras da Confraria Sagrada permitiam ao Comando expulsar o Emissário. Cláusula semelhante encontra-se nas atuais regras da sucursal de Mogi das Cruzes.
Quando contamos essa história, precisamos perguntar o motivo budista que há por trás disso tudo.

Frente ao poder político dos colonóides que ocupam o Comando, o atual Emissário fora quase deposto. E por qual motivo? O motivo oficial seria de que ele não exercia suas funções. Precisaríamos perguntar aos colonóides que vestem a camisa do budismo por força da tradição, qual o ideal do monge budista da qual eles podem, com orgulho, defender.
Para os colonóides, a função do Emissário é fazer todas as cerimônias memoriais, funerais e limpar o chão do espaço sagrado da Confraria. Caso ele não faça isso, não trabalha. Não exerce, segundo os óculos budistas dos colonoides, a prática e realização dos ensinamentos de Buda. 
Em outros termos, caso o Emissário não realize cerimônias memoriais, funerais e limpeza do chão sagrado, não estaria ganhando para a missão Sagrada da Confaria, ou seja, disponibilizando para o mercado funerário, seus serviços rentáveis. Se não vende a mercadoria cultural, a Confraria não ganha e se não dá dinheiro, não tem valor. Num outro giro, para os colonoides, só tem valor se vender cerimônias, funerais e limpar o chão (para receber as famílias solicitantes), pois limpando, economiza-se na contratação de profissionais da limpeza. Em resumo, se não dá dinheiro, não é trabalho digno de um monge.

Essas linhas sintetizam a visão valor dada pelos colonoides acerca de um monge budista:

a) Funcionário do mês
Monge de grande valor: realiza cerimônias memorias, funerais e limpeza do solo sagrado.
Consequência econômica do trabalho: produz a mercadoria funerária.
Consequência econômica para a Confraria Sagrada: recebe o dinheiro pela mercadoria vendida.

Consequência mediata: mantém o poder econômico que sustenta o poder político que mantém os colonoides no Comando por mais tempo. Essa específica fonte de recursos sustenta a missão "sagrada" dos colonóides.


b) Mau funcionário 

Monge de baixo valor: não realiza cerimônias memoriais, funerais e limpeza do chão sagrado.

Consequência econômica do trabalho: não produz a mercadoria funerária.
Consequência econômica para a Confraria: não recebe dinheiro pela mercadoria vendida.

Consequência mediata: sem poder econômico, o agrupamento colonóide não se sustenta porque falhou em exercer o poder político para explorar o trabalho de um monge desavisado. Perde-se o motivo para os colonóides exercerem sua missão sacra.


A sustentação dessa estrutura política advém portanto da cultura tradicional (tradição recentíssima de meados do século XX a partir da fundação da Sagrada Confraria e sua sucursal) quando colonos e colonóides passaram a explorar o trabalho dos monges e, ao invés de receber os lucros da exploração, receberam o poder político para se manterem no Comando do empreendimento. Aos colonos e colonóides, recebem uma medalha social (status) de exercerem um trabalho sagrado que contribui com a difusão do budismo e auxílio aos necessitados. Sacrificam-se para manter a Confraria Sagrada, que para eles equivale ao Buda e ao Budismo; nem que para isso tenham que sujar suas mãos no lodo da exploração dos religiosos, dos monges budistas.

A medida anti-budista, assim, fundamenta-se na moral advinda da exploração da mão de obra, na clássica ideologia capitalista de defesa da efetividade, exploração, controle dos corpos. Todo o ambiente dentro da Confraria Sagrada que deveria preservar a moral budista ganha contornos capitalistas. Constantes assédios morais contra os monges e demais trabalhadores - o caso do Emissário é emblemático, contra ele, porém, não foi apenas assédio moral que o condenasse por "não trabalhar", porém uma suposta tentativa de golpe para sua remoção -, quando os monges estão em estado de vulnerabilidade socio-econômica, os colonóides profetizam contra eles dizendo que seria necessário ser mais forte, porque, segundo a mentalidade colonial, faz parte da atividade monástica se entregar a esse trabalho com todo louvor necessário. De tanto trabalho e tanta cobrança, incutem na mente dos monges em estado de vulnerabilidade que devem trabalhar, inclusive, nos dias de folga; normalizar horas extras e horas além das horas extraordinárias, tudo na argumentação de que monges "de verdade" deveriam trabalhar assim - aceitando a exploração como se fosse um ensinamento de Buda. 

Bem verdade é: os monges vulneráveis que sinceramente acreditam em Buda e de que a Confraria Sagrada tem orientações budistas são ludibriados por esses abusos morais com tons religiosos perpetrados pelos colonóides.

Aos trabalhadores que não são monges, a exploração é ilimitada.

Shozan




Registros do debate acerca da desmoralização do zen no Brasil (I)

Autor 01 (Será mantido o anonimato porque a forma do compartilhamento da publicação está como personalizado; há também um vídeo que acompanh...